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Alambiques de Paraty protocolam pedido inédito de reconhecimento de Denominação de Origem (DO) da cachaça local

13 anos depois conquistar o primeiro selo de Indicação Geográfica (IG) de uma cachaça no Brasil, na modalidade Indicação de Procedência (IP), Paraty avança na defesa do terroir e protocola pedido inédito de reconhecimento de Denominação de Origem (DO).

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Poucas invenções são tão ligadas à terra e à história do Brasil quanto a cachaça. Em Paraty não é diferente. Uma história escrita com suor e sangue escravo. Contam registros que a Baía da Ilha Grande teria sido descoberta pelos colonizadores na mesma época em que as primeiras mudas de cana de açúcar eram trazidas para o país, da Ilha da Madeira na costa portuguesa.

Paraty, pólo produtor de cachaça

Localizado no litoral sul do Rio de Janeiro, o município já foi a porta de entrada do eldorado brasileiro e porto importante do comércio marítimo. Produtora de renome, serviu a cachaça do Imperador, e participou da descoberta da influência das madeiras no envelhecimento da bebida, quando as barricas ainda eram levadas de mula até Ouro Preto, em Minas Gerais. No século XIX, a cidade chegou a ter mais de 150 alambiques.

Nada mais natural do que a jovem história brasileira da cachaça, com as Indicações Geográficas, ter começado por lá à beira mar. Em 2007, Paraty foi a quarta região do Brasil a conquistar a denominação na modalidade Indicação de Procedência, e a primeira região do país a obter o registro com cachaça.

Pouco mais de uma década depois, a Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça Artesanal de Paraty (APACAP) anuncia o protocolo de um novo pedido, com o objetivo de alterar a classificação para Denominação de Origem (DO). Um passo a mais para o reconhecimento legal do terroir da cachaça, que é a influência de clima e solo no padrão sensorial do produto final.

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Nos últimos anos, as Indicações Geográficas alcançaram maior visibilidade no país, com ações de fomento de entidades governamentais e privadas como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e acordos internacionais. Apesar disso, a realidade mostra que esses selos ainda são pouco explorados no setor da cachaça.

“Um cálice de paraty, diz-se ainda hoje, como quem diz madeira, porto, colares, cognac, champanhe, bordeaux, tokay, terras que são nomes de vinhos” – Luís da Câmara Cascudo, Prelúdio da Cachaça, 1967

O investimento nas Indicações Geográficas representa uma estratégia de posicionamento e vantagem competitiva para os produtores de cachaça dentro e fora do país. Diante de um mercado cada vez mais competitivo os consumidores estão mais atentos a questões relacionadas com qualidade, boas práticas, sustentabilidade e origem.

Para carregar o selo da Região de Paraty, administrada pela Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça Artesanal de Paraty (APACAP), o produtor deve ser legalizado e associado. Atualmente, a entidade conta com seis afiliados que comercializam onze marcas reconhecidas pela Indicação de Procedência.

A indicação de procedência agrega valor à cachaça, diferenciando o produto, fidelizando o consumidor que pode conhecer mais de perto a produção, fomentando o turismo (histórico, rural e gastronômico), preservando o patrimônio da região, além de estimular parcerias e investimentos que levam à inovação e sustentabilidade. Em Paraty, pesquisas com novas variedades de cana de açúcar, feitas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já dobraram a produção sem aumentar a área de plantio.

Outro trabalho, com a Universidade de São Paulo, por meio da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” analisou o padrão sensorial da cachaça de Paraty e comparou com as características do clima e solo identificando características exclusivas no destilado da região. O estudo está sendo usado para embasar o pedido de alteração da classificação de procedência local.

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