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A insustentabilidade do turismo na Juatinga

No último réveillon, a Praia do Sono recebeu em torno de 10.000 turistas do dia 26 ao 31 de Dezembro. Esse lugar, que possui menos de 400 habitantes fixos, foi surpreendido por turistas que levaram todo tipo de tralhas além de muitos cachorros – o que é proibido em qualquer praia do litoral brasileiro, ainda mais se tratando de uma Unidade de Conservação.

Martim de Sá

Dentro da Área de Proteção Ambiental de Cairuçu e da Reserva Ecológica da Juatinga, a Península da Juatinga, no município de Paraty, possui 20 núcleos populacionais cada um com suas peculiaridades, quase todos habitados por caiçaras. Sua localização central no eixo Rio-São Paulo, com acesso pela BR-101, propiciou que esta região fosse cada vez mais cobiçada como destino turístico e de especulação imobiliária.

Beirando a Serra do Mar, possui inúmeras praias paradisíacas, trilhas, rios e picos. São lugares pequenos e sem infraestrutura para receber um turismo de massa, como ocorre, por exemplo, na Praia do Sono, na Ponta Negra e na praia de Martim de Sá as quais passaram a receber um intenso fluxo de turistas. Como este processo está ocorrendo sem planejamento, não há limites.

Segundo alguns moradores da Praia do Sono, o aumento no fluxo deveu-se, entre outros fatores, ao fechamento de um dos maiores campings de Trindade (outro destino que recebe um turismo sem planejamento, insustentável); ao aumento na diária dos campings (também em Trindade) além de algumas limitações na Ilha Grande (principalmente na Praia do Aventureiro onde o limite é de 560 pessoas por dia, em um total de 18 campings) e, ao prolongado feriado, com calor intenso, levando mais pessoas a passar seu réveillon numa praia.

O resultado disso não foi nada positivo. A Península da Juatinga não é atendida pela Prefeitura para a retirada do lixo, que fica a cargo de uma embarcação privada a qual passa esporadicamente. Neste fim de ano, o lixo acumulado na Praia do Sono desde o dia 26 de Dezembro começou a ser recolhido somente no dia 7 de Janeiro. Toneladas de resíduos ficaram acumuladas e muitos sacos com lixo foram levados pela enxurrada que chegou à região no dia 2 de Janeiro, infelizmente antes da passagem da embarcação responsável pela sua retirada.

Praia Grande da Cajaiba

A Península da Juatinga não possui saneamento básico e na Praia do Sono, por exemplo, a maioria das casas possui simplesmente fossa séptica, entretanto, com a pressão de 25 vezes a sua população, não há fossa séptica que resista. Parte do esgoto e da água das pias e tanques foi parar no rio, que desemboca no final da praia, indo direto para o mar onde os turistas se banhavam, gerando um ciclo grotesco e insalubre.

Os próprios habitantes da Praia do Sono não esperavam esse volume de visitantes os quais formavam longas filas em todos os estabelecimentos em busca de produtos. Alguns moradores, que hoje dependem totalmente do turismo, em meio a dias exaustivos, sem pausa nem para o almoço, desabafavam: “Tem que limitar! Não dá nem tempo de gelar a cerveja e eles já querem comprar! A última porção de lula que eu fiz arrancaram da minha mão antes de chegar na mesa! Tem que limitar!”. Como resultado, no dia 1º de Janeiro as filas para sair de barco da Praia do Sono eram enormes. As passagens de ônibus, em Paraty, estavam esgotadas não apenas devido ao fluxo na Juatinga, mas em todo o litoral Norte de São Paulo e Sul do Rio.

É notório que o processo turístico na região precisa de um planejamento urgente. Os responsáveis pelas políticas públicas devem atentar para as consequências de suas ações. Não é possível iniciar um planejamento turístico para a Ilha Grande, por exemplo, e deixar o entorno sem nenhuma atenção. Além disso, o incentivo ao ecoturismo não pode existir sem educação ambiental. O indivíduo que decide viajar para um lugar onde vivem menos de 400 pessoas precisa ter consciência de que ele não pode fazer tudo o que quiser. Ele tem muitas responsabilidades. A começar pela própria geração do seu lixo, a separação dele e, se possível, a sua retirada.

Praia Vermelha

As “praias paradisíacas” e “cachoeiras mágicas” não terão mais essas características se esse processo continuar ocorrendo dessa forma. E o turista vai embora, mas quem terá que lidar com os seus restos são os que ficam, os habitantes do lugar, que abriram as portas para quem quisesse entrar e não têm como controlar sem uma atuação legal por parte do Governo.

A Reserva Ecológica da Juatinga está em processo de recategorização para se transformar em alguma categoria de Unidade de Conservação prevista pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) desde 2002. Esse fato com certeza dificulta a ação de políticas que visem o estudo de capacidade de carga para a região e sua posterior limitação de acesso.

É importante destacar que este cenário não conseguirá se sustentar por muito tempo. Além disso, é mais do que urgente a melhoria no sistema de telecomunicação com a península da Juatinga e a limitação ao acesso, que pode ser realizado de diversas maneiras, por exemplo, através de uma central de reservas, como acontece em muitos outros lugares como, por exemplo, a Ilha do Cardoso, no Estado de São Paulo e em Fernando de Noronha, no Estado de Pernambuco. O saneamento é básico e mais que urgente para toda a península. A separação do lixo e a instalação de contêineres específicos devem ocorrer na praia.

Saco da Velha

O turismo é um processo que movimenta a economia desde que o viajante decide viajar: compras feitas antes da partida, deslocamento até o destino, encontros e desencontros pelo caminho e no atrativo escolhido, além de todo o movimento, com suas intercessões e imprevistos, no retorno revelam a importância econômica extrema deste processo. Entretanto, sem planejamento, ele pode se tornar autodestrutivo com a sobre exploração. Os destinos ficam “gastos” e seus habitantes de mãos atadas, pois não têm controle da situação.

Um turismo melhor é possível, mas muito deve ser repensado. Os responsáveis pelas políticas públicas relativas ao turismo em Unidades de Conservação do Estado do Rio de Janeiro devem começar a reescrever a história da Península da Juatinga antes que seja demasiado tarde, principalmente para seus habitantes, sem mencionar a devastação desse ecossistema como um todo.

Texto: Ana Huara / Geógrafa e Jornalista
Fonte: http://www.eco21.com.br

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