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Visões da Flip: O espaço de reflexão da Cairuçu

*Por Claudia Ferraz. Na Casa do Festeiro, um espaço limpo, que privilegiou o branco para transmitir a força da palavra, a exposição “…tudo hoje precisa um pingo, uma letra…”, realizada pela Associação Cairuçu, foi um forte e sensível retrato da realidade local, nessa Flip 2011.

A letra, o pingo, a escrita à mão, as teclas da máquina de escrever, o computador. A escrita e a leitura. O papel. O papel da educação. O papel da alfabetização.

Todos os méritos para os educadores, crianças e jovens da Ponta Negra, que realizaram de forma inteligente e incomum uma das exposições mais valiosas, do ponto de vista histórico, político e cultural, dessa 9ª Festa Literária Internacional de Paraty.

Essa comunidade costeira de cerca de 400 moradores e perto de 150 famílias vive uma situação de isolamento. Na Ponta Negra, lugar de difícil acesso, onde a pesca é o sustento e praticamente a única atividade econômica, não há luz elétrica e a maioria das pessoas não foi alfabetizada. Esta realidade começa a ser transformada por suas crianças e jovens.

Ler e escrever – o fio condutor para se integrar ao mundo como cidadão, como ser pensante, comunicante e participante. Não importa se lá tão distante, na Ponta Negra, ou se em algum grande centro. Ainda há 14 milhões de analfabetos no Brasil, com mais de 15 anos de idade… Essa é uma das reflexões propostas nessa exposição da Associação Cairuçu, cujo foco se traduz na importância do saber ler e a imensa falta que faz o saber ler.

O trabalho dos educadores da entidade levou a nova geração dessa comunidade a escrever pelos mais velhos, analfabetos, suas mensagens, gritos de socorro, por uma vida de isolamento, fora do mundo da palavra escrita. Crianças e jovens foram os escribas de depoimentos emocionantes, de lamentos, de expressões contundentes e de mensagens de esperança de adultos de todas as idades (veja nas fotos algumas dessas mensagens).

Mensagens vinda do mar, do mar da Ponta Negra. Como de náufragos, analfabeticamente náufragos, cujas vozes chegaram à praia da Flip nas garrafas que povoaram o espaço branco, tingido apenas pelo traço da escrita à mão, singela e suficiente. A metáfora ocupou sem alarde as paredes da Casa do Festeiro de Paraty, convidando o visitante a ler sem pressa cada um dos depoimentos.

Numa segunda sala, como numa homenagem silenciosa e sagrada ao culto da escrita, o lugar da máquina de escrever e da tecnologia da informação. A palavra construída letra a letra, tecla a tecla, significado a significado, creditando, nome a nome, com letras nítidas e outras quase apagadas (sugerindo vida, tempo, uso concreto e sonoro do saber ler e escrever e teclar…) todos os que participaram e tornaram possível a exposição.

A vez do “escrever à máquina”, dividindo espaço com os totens da atualidade, que registram em som e imagem o fazer dessa comunidade, seus desafios e dificuldades, suas experiências vivas e as trocas que resultaram nesse recado dos não-alfabetizados da Ponta Negra aos visitantes da festa literária de Paraty.

Nota 10 para o trabalho exemplar da Associação Cairuçu, traduzido na montagem corajosa de sua exposição que, com muita clareza conceitual, nos possibilitou a reflexão sobre a realidade do analfabetismo no país, a partir de uma experiência positiva, fruto de garra e consciência política e social.

Visite www.cairucu.org.br