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Mercados: charme e tradição – *Por Claudia Ferraz

Cheguei de uns dias azuis em Santa Catarina e trouxe na bagagem boas lembranças e algumas reflexões a respeito das cidades e suas tradições. Uma visita ao belo Mercado Público de Itajaí me fez pensar em Paraty. Que falta faz um mercado aqui, na nossa cidade!

Paraty mercado itajai paraty Mercados: charme e tradição   *Por Claudia Ferraz

A expectativa é que dêem muito certo os planos de transferir a Feirinha para o terreno onde hoje está o Mercado do Produtor Rural, fazendo dali um novo ponto de interesse em Paraty. Aglutinar os comerciantes da Feirinha, do próprio Produtor Rural, criar ali uma infra-estrutura dinâmica e funcional para moradores e turistas pode mesmo ser excelente ideia. Não apenas na área dos negócios para a cidade e para esses pequenos empresários, mas também na área cultural, da cultura popular mesmo. Porque faz uma diferença enorme a tradição de um mercado aqui entre nós. Ao longo da história de Paraty, a pesca sempre teve função primordial e até há bem pouco tempo o nosso Mercado do Cais era uma das joias da cidade, quem não se lembra?

Afinal, continua viva e vibrante pelo Brasil e por várias capitais do mundo a tradição do burburinho nos mercados, um vaivém para as compras diárias, o encontro de vizinhos e conhecidos, conversa aqui, conversa ali; mil cores de frutas, verduras e legumes; mil cheiros de temperos e especiarias; os peixes, as galinhas, codornas, coelhos até; vassouras, balaios, artesanato, queijos, doces…

Doce lembrança numa viagem é recordar seus mercados. Conheci tantos deles e quero sempre mais! Em Aracaju, em Salvador, João Pessoa, o imponente de São Paulo, em Porto Alegre, o nosso vizinho Mercado de Peixes de Angra dos Reis, e lá fora os imperdíveis de Barcelona, Lisboa, Coimbra, Budapest, os vários de Paris, para lembrar alguns.

Confira a galeria de imagens:

E agora agreguei a um dos meus roteiros preferidos de viagem o Mercado Público de Itajaí. A cidade, aliás, o segundo maior porto da costa brasileira, tem uma excelente urbanização e é pontuada por belezas naturais bastante preservadas. Um bom retrato de tanta qualidade, volto ao assunto, é o seu Mercado construído 1917 e que, apesar de restaurado após um incêndio, mantém importantes características arquitetônicas da edificação original, como as armações do telhado, os beirados e o chafariz do pátio interno, traço marcante das construções ibéricas. Ali, bem defronte ao Rio Itajaí-Açu, a pesca e a agricultura, duas riquezas regionais, têm espaço de sobra para oferecer à população uma mesa farta e saborosa.

Mas não é só. O lugar é puro charme. Por fora, o colonial bem tratado, entre paredes e portas coloridas, e uma serralheria histórica nos portões. Em volta do pátio interno (um gostoso ponto de encontro para beber, saborear os pratos típicos de frutos do mar,  conversar e circular), há lojinhas interessantes e simples, onde se compram a bons preços cestaria, panelas de barro e cobre, cerâmica e obejtos de madeira, além de ervas, castanhas, especiarias em geral e deliciosos doces portugueses. Também não falta boa música, com músicos locais apresentando fados portugueses e música popular brasileira.

É isso, um mercado vivo, que faz parte do cotidiano de Itajaí, bem frequentado por gente de todas as idades e classes sociais. Por essas e outras, claro, é patrimônio histórico tombado e ponto turístico obrigatório na cidade. Quando for até lá, visite: Mercado Público de Itajaí, praça Félix Busso Assemburg, de segunda a sábado, das 9 às 19 horas.

E cá entre nós, sucesso para o projeto do Shopping Popular – o tão aguardado “mercado” de Paraty. Porque charme e tradição nunca serão demais para incrementar a economia e o turismo dessa nossa cidade, nascida entre mar e montanhas, com a vocação de ser encantadora.

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